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Redes Sociais e Saude

 
Desde os anos setenta, os estudiosos vêm explorando a pertinência da perspectiva sociológica para a ampliação do olhar científico sobre os fenômenos da saúde e da doença. Isto implica na afirmação de um novo paradigma que define a saúde como um fenômeno social e cultural amplo, ao contrário do antigo paradigma, o do modelo anátomo-cIínico, pelo qual a saúde ê concebida negativamente, isto é, saúde como sendo a negação da doença. O novo paradigma é mais complexo por considerar além dos condicionantes bioorgãnicos outros vinculados à educação, à cultura, à política, à família, ao trabalho, à economia e ao lazer. Nessa perspectiva, não há como separar saúde de temas como política e cidadania.

Temos, aqui, então, um novo diálogo entre estudiosos da sociologia e da saúde cuja peculiaridade é dada pelo fato dessas iniciativas nascerem, curiosamente, não no campo sociológico acadêmico tradicional mas naqueles da antropologia médica e de disciplinas das ciências da saúde, como a epidemiologia e a medicina social, o que vem acontecendo de forma visível desde os anos setenta. Aos poucos, a sociologia vai, porém, integrando estes procedimentos de desconstrução da idéia biologizante da doença, o que tem como efeito revigorar os estudos sociológicos e reforçar as tendências de formação de um campo inter e transdisciplinar complexo na saúde.

A sistematização de um conceito como o de promoção à saúde, por exemplo, que incorpora definitivamente a questão social no debate, e a estruturação do conceito de vigilância a saúde que articula organicamente o saber teórico e o saber prático, colocam, inevitavelmente, um desafio para a sistematização de uma nova perspectiva social da saúde que beneficie tanto a sociologia da saúde como a saúde coletiva.


Referência
Martins, Paulo Henrique e Fontes, Breno (orgs.). Redes sociais e saúde: Novas possibilidades teóricas. Ed. Universitária - UFPE





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