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Objetivo do encontro: A palavra utilitarismo não é muito familiar no debate teórico na América Latina e no interior do campo da saúde. Embora, na prática, a maioria dos intelectuais revele uma posição antiutilitarista, ou seja, uma posição de crítica do neoliberalismo e de modelos reducionistas que contribuem para enfraquecer os vínculos de solidariedade e de pertencimento público. Temos aqui um paradoxo, pois, por um lado, há, no campo da saúde e do SUS, um sentimento compartilhado inegável sobre a importância de se avançar na descentralização e em novos mecanismos geradores de aproximação entre profissionais da saúde e usuários. Por outro, porém, os relatos produzidos pelas pesquisas dão conta de que as práticas utilitaristas e individualistas continuam a se expandir em vários setores. Isto leva à constatação que esse sentimento antimercadológico e reducionista não vem se traduzindo automaticamente em uma crítica filosófica e epistemológica poderosa que ajude a explicar que o neoliberalismo não é simplesmente um erro histórico, teórico ou moral. Que ajude a explicar que este sistema de dominação constitui uma narrativa de poder situada historicamente no tempo e no espaço. No momento atual de avanço do SUS e dos processos descentralizadores com vistas a ampliar as bases da cidadania na saúde, é de se perguntar sobre como a academia está preparada para apoiar o avanço das reformas com vistas a assegurar o enraizamento da solidariedade pública. Em particular gostaríamos de nos perguntarmos sobre alguns pontos: a) o modelo atual de articulação entre ensino, pesquisa e extensão está apto para apoiar o avanço das reformas em saúde? b) que novos atores, experiências e idéias deveriam ser invocadas para ampliar o debate crítico?





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